segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"BIO NORDESTINAGEM"











Quem sou eu seu moço?
Sou um turista forçado na bancada de um pau de arara, despejado por aqui ha muitos anos atrás, quando o frio cortava feito navalha quem de muito longe trazía uma camisa "volta ao mundo", e um monte de sonhos perdidos num matulão improvisado amarrado com imbiras colhidas no serrado.
Quem sou eu seu moço? um dormidor por sobre sacos de cimento, para fazer a tua luxuosa morada.Sou aquele, que com alcool numa "espiriteira" improvisada aprontava a gororóba amarga e tão longe de ser considerada uma verdadeira refeição merecida, após um exaustivo dia de labuta, em que a
sobremesa, era uma banana mergulhada na farinha para dar maior sustento.
Sou um equilibrista nos andaimes da vida lutando para o destino não me lançar ao chão da discriminação.Sou aquele, que por descaso ou deboche, tu me chamavas de baiano, sem nem se quer saber a minha naturalidade.
De onde eu vim,tem mais oito estados empobrecidos (aos teus olhos) pela riqueza de quem tanto lhes exploram.
Sou aquele, que construiu a tua casa, mas que hoje, nem na calçada atrevo-me pisar.Não posso queixar-me tanto; pois me lembro que Jesus (O Santo filho de Deus) era carpinteiro e só pregava o amor e a bondade.`Porém, numa cruz amadeirada pelo Homem, foi crucificado,humilhado e morto.
Mas doutor, em cada vão da tua casa tem um dedo meu, uma gota de suor caida, num canto qualquer,uma lágrima que lavou minha saudade, ao lembrar de quem bem longe um certo dia (carregado de ilusões) para traz deixei.
Eis-me aqui doutor, humilde, mas sem aceitar humilhação sua ou de qualquer um desses teus amigos que acham que cabras como eu, nasceram apenas para te servir.
Trago orgulho da minha NORDESTINIDADE, Escrevo a minha NORDESTINOGRAFIA como forma de Brasilidade,Pois toda NORDESTINOLOGIA, hoje ensina a quem nunca se ligou para aprender o que é ser Brasileiro de fato.
O meu NORDESTINAMENTO doutor, é forte descrito por Euclides da Cunha ao acompanhar de perto, o massacre covarde de um povo. E devo lhe dizer: No mundo, não há NORDESTILOGRAFO mais inteligente, que o matuto que planta em terra dura, o sonho do seu proprio sustento, e que não está nem ai para o que o senhor pensa dele.

"SERTANEJANTE"



Raimundo, Célia e Eu (O mais bonito)











Na simplicidade versativa da minha filologia, desnudo por entre versos a essencia da mais bela paisagem versativa, numa viagem pelo meu sertão agrestino tão meu e brasileiro.
Sou um toco de jurema brotando por entre o gravatá da caatinga, o florescer de uma nova cantiga chamada poesia, desfilando pelas veredas abertas da minha inspiração, o dom mais sublime em descrever o meu torrão amado.
Hoje, (aquilometrado pela distancia) sinto o cheiro da saudade aperfumar o meu sentido mais íntimo de vontade de pisar de novo neste sagrado solo.
Em meio a violeiros tantos, rimadores repentinos,cantantes de diversoa modas entoando cultura popular em cada acorde ou nota soprada ao vento.Sou um pedaço de tudo isso, beiçando as iguarias mais gostosas do meu lugar,
Um açude, um pé de serra, um tanque grande bem maior que meu sonhar, desaguando minha meninice teimando as ordens de mamãe corretivas em não banhar-me por ali.
Ahhh saudade. Porque teima em cutucar-me o juizo?.
Visto que antes, os versos de duplas como Dadinho e Caboclinho,a tocante sanfona de Josa vaqueiro do sertão, Marinês e sua gente numa lonagem de circo de rua, me faziam sonhar com o mundo das artes e do entretenimento.
Eram teatros abertos aos olhos imagináveis de vontades despertando em cada pulsar o querer ser também eu a estar ali Arteando para o povo ver e ouvir.
Onde estão as duplas de meio de feira, o gritar estatalado do propagandista oferecendo suas ervas de tudo quanto era cor?
Onde está a infantilidade doutrora que hoje me faz passear pelas letras o meu sentir?

Se a vida é também para ser lida,elevo meu pensar nos sertões de Guimarães cheirando todas as rosas da busca.
Feito Fabiano, bebo em fontes de esperança o meu viver, evitando a secura e a cegueira do não encontrar.
Ahhh meu sertão amado, cercado de tantos diferentes sotaques e longe de refinos gramaticais. Amo a tua simplicidade sertanica e o teu jeito mais puro de ser e sentir, pois assim, mutuamente, nos completamos a cada palavra solta.
Entre o sertão e eu, não carece tanto ismo pois nos aceitamos e nos acostumamos nessa cumplicidade de ritos, mitos e gestos tão nossos, de nosso povo suado e sonhante sem exigir da vida, mais do que o necessário para viver.
A labuta bruta me basta e assim em cada pedaço de mim vivido, tenho Itamira-Ba,como fonte inspiradora do meu viver.

Matança aprovada

Quer ver o que é o ser humano:

Click nesse link
http://www.anda.jor.br/2011/03/29/canada-autoriza-ao-assassinato-de-268-mil-filhotes-de-foca-em-2011/#comment-99264

"O VALOR DE UM CORRUPTO"













No Brasil meu camarada
Lá se vem outra eleição
Um punhado de promessa
Mas não vemos solução
Eu calado me pergunto
Que será desta nação?


O mundo está virado
O dinheiro predomina
Tudo ao seu bel prazer
Quando rola a propina
O poder sobe á cabeça
E a muitos contamina


Os tratados que são tantos
Já não trata de ninguém
O que vale é a cobiça
A ganancia sempre vem
Trazendo inpunidade
Massacrando a humanidade
Do jeito que lhes convem



Mas amigos uma coisa
Tenho eu cá com certeza
Deus irá cobrar de todos
Que acham que é esperteza
Financiar a guerra imunda
Provocar fome profunda
Retirando pão da mesa


Do pobre no mundo inteiro
Que sonha com liberdade
Mas liberto sem comer
Creio não seja a vontade
Desse povo que é sofrido
Destratado e oprimido
Por falta de irmandade

Dinheiro não se mastiga
Não mata fome de ninguém
Nunca vi alguem comendo
Uma notinha de cem
Quando acabar o dinheiro
Então você verá ligeiro
O peso que o castigo tem



Deus é moeda de troca
Jesus, ninguem acredita
O que vale á a grana
O ambicioso grita
E acaba tendo o castigo
Da sua vida maldita


Pois o dinheiro só compra
O que o tempo corroi
E a mente do ganancioso
Pouco a pouco se destroi
Quando ele cai na cama
Ou se joga la na lama
sente as dores que lhe doi



Dinheiro eu nunca tive
Não sei o valor que tem
Mas sendo eu ser humano
Me corromperei também
A podre humanidade
morre na ânsia da vontade
È isso que lhe convém

Ninguém está livre disso
Pois os prazeres atraem
Grana,furtuna "AMIGOS"
Na rede da miséria caem
È um ciclo vicioso
Altamente perigoso
Quem entram neles não saem


Se dinheiro fosse vida
Deus mandaria plantar
Para colher as moedas
Pra gente se alimentar
O mestre nos deu o trabalho
O Satanaz no " atrapalho!"
Ensinou vender e comprar

OLHO AMBICIOSO























OLHO AMBICIOSO DERRETE GELEIRAS
SUFOCA FLORESTAS
INPLANTA TRINCHEIRAS
DERRUBANDO CORPOS AO SEU BEL PODER

TRATADOS DESTRATAM A HUMANIDADE
PODER CORROMPIDO, TRAZ IMPUNIDADE
E O FRACO ASSISTINDO O FORTE CRESCER

COM VARIOS TRILHÕES QUE ALIMENTAM A GUERRA
NUTRIRIA A FOME QUE MATA ESSA TERRA
TROQUEM SUAS ARMAS, POR PEDAÇOS DE PÃO

DESTRUAM AS MINAS E DEIXEM PASSAR
CRIANÇAS COM SONHOS A REALIZAR
APAGUEM A TOCHA DO FEIO CLARÃO

RENEGAM A DEUS, TRAEM SEUS MANDAMENTOS
AVES DE RAPINAS TERÃO JULGAMENTOS
NA CORTE SUPREMA, TÃO CELESTIAL

ALI TEU PODER NÃO TERÁ VALIDADE
NESSE TRIBUNAL O SENHOR DA VERDADE
DARÁ A SENTENÇA NO JUIZO FINAL

PRA QUE GUERRA SANTA SE NINGUÉM DIZ AMÉM
E O HOMEM CAMINHA ESQUECENDO O BEM?

sábado, 1 de outubro de 2011

"IRRIGAÇÃO DE LÁGRIMAS"




"FALADO"
“Não pude virar as costas
E esquecer minha terra
Pois cada pedaço dela
Respira alma sincera
Ai sertão se eu pudesse
A Deus faria uma prece
Pra te dar um banho sagrado
Ver teu corpo orvalhado
Do jeito que bem merece”




(MÚSICA)

A força do sol cortava
Como navalha o chão
Até mandacaru secava
Se confundindo com o torrão
Da poeira que bailava
Onde o vento assobiava
A tristeza do sertão

Nuvem no céu não se via
Nem aboio se escutava
Chocalhos emudeceram
Nem se ouvia a passarada
Era um completo deserto
Eu vi tudo isso de perto
Seca feroz castigava

Somente uma gota molhava
E caia naquele chão
Brotou da maior tristeza
Que sufocou o meu coração
Minhas lágrimas transbordaram
Os meus olhos encharcaram
Querendo irrigar o sertão

"DIGA NÃO, AO HORÁRIO DE VERÃO"







Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara/BA,
Professor, cordelista e indignado com o horário de verão







Essa idéia anacrônica

De alterar o fuso horário

É uma forma do governo

Ajudar ao empresário

Mas o povo de bom tino

Sabe que é desnecessário.

II

No Brasil não tem otário

Pra viver de imitação

Porque gente esclarecida

Aqui temos de montão

Então vamos boicotar

Esse Horário de Verão.

III

Esse Horário de exclusão

Alterando o dia-dia

Com o pretexto de auxílio

Para a nossa economia

É mentira mentirosa

Além de demagogia.

IV

Eu digo “Estraga Verão”

Nome bem apropriado !

Porque quando o galo canta

O pobre já tá acordado

Pra tomar o seu buzu

E sair desmotivado.

V

O patrão, muito folgado

Acorda tranquilamente

Por volta das 8 horas

Muito descansadamente

E só chega às 10 e meia

Para o seu expediente.

VI

E a criança inocente

Deveras sacrificada

Brigando com o fuso horário

Acorda na hora errada

Para estar dentro da escola

Ainda de madrugada.

VII

Esse horário então enfada

Nosso povo varonil

A classe trabalhadora

De Norte a Sul do Brasil

Que não deve mais sofrer

Com esse plano tão hostil.

VIII

A estação primaveril

Já começa com o calor

Depois o sol escaldante

Do verão abrasador.

O patrão fica sorrindo,

Sobra pro trabalhador !

IX

Perde muito o agricultor

De toda a zona rural

Já que a sua atividade

Não é artificial

Pois a sua produção

É pela luz natural.

X

O Governo Federal

Sabe que é um paliativo

Alterar o fuso horário

Sem razão e sem motivo.

Então deve o governante

Pensar bem no coletivo.

XI

Esse horário punitivo

Interfere de montão

No atendimento a bancos,

Nas viagens de avião,

De navio, de trem, de ônibus;

No rádio e televisão...

XII

Esse horário de Verão

Deveria ser brioso

Mas conforme as estatísticas

É deveras acintoso

Em vez de ser lucrativo

É mais que fantasioso.

XIII

Tal horário é desastroso,

É verdade, não invento

Porque ele economiza

Apenas quatro por cento.

Então chega de mentira

E tanto aborrecimento.

XIV

Quem possui discernimento

E também sabedoria

Sabe bem que o Ministério

Das Minas e Energia

Deve então racionar

É a sua anatomia !

XV

Chega de tanta utopia

Nesse Brasil de chacinas

De “roubanças”, injustiças

De buracos, de ruínas,

De tanto disse me disse

Que fere minhas retinas.

XVI

Não entendo “patavinas”

Desse ”horário oferenda” !

Vou pedir a Jaques Wagner

Que logo nos compreenda

E deixe nossa Bahia

Longe dessa reprimenda !

XVII

Eu quero ver quem desvenda

Os mistérios de Brasília.

Quem vai racionar salário

Quem vai ficar de vigília

Quem vai apagar as luzes

Quem vai comprar uma ilha !

XVIII

Gostei do Bolsa-Família

Porém quero muito mais.

Quero ver muitas usinas

Ao invés de carnavais !

E o Horário de Verão

Nos braços do Satanás !

XIX

Sei que Dilma é capaz

Na arte de governar

Expulsou aventureiros

Que queriam “racionar”.

Então desse “horário novo”

Peço para nos livrar.

XX

Eu não vou adiantar

Uma hora a todo dia

Vou deixar o meu relógio

Trabalhar em harmonia

Pois somente o empresário

Vai gostar dessa folia.

XXI

Chega de Filosofia

Cada qual na sua cabine

Que a vida me prepare

Que a Lua nos ensine

Que o Brasil tome “juízo”

Que o Sol nos ilumine !

XXII

Enquanto ninguém define

Vou dizendo sem demora:

Desse Horário de Verão

Nenhum brasileiro adora

Com exceção dos empresários

Que querem vê-lo na tora !

XXIII

Vou adiantar uma hora

Para ver o trem passar...

O Trem que não é das Onze

É um trem que vai chegar

Bem cheio de Consciência

Pra todo Parlamentar !

XXIV

Barreto vai retornar

A qualquer hora do dia

Reclamando do governo

Reclamando com harmonia

Esperando que o Brasil

Trate o seu filho gentil

Oferecendo alegria.



FIM



Salvador, 01/10/2011




Antonio Barreto

www.barretocordel.wordpress.com